Ana Di Romão, estilista brasileira conquista mercado do sul da Florida

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Ana Di Romão

Ana Di Romão

 

Existem muitas historias de sucesso de brasileiros que chegaram aos Estados Unidos da America com um sonho e muita garra e conseguiram alcançar seu lugar ao sol na terra do Tio Sam. Recentemente fui apresentada a historia da Ana Di Romão, estilista paulista com apenas 25 anos de idade, que está conquistando o mercado americano e o sul da Florida. Em 2012 os colares étinicos da Ana começaram a ser vendidos na loja Petra Bijux em West Palm Beach e foi sucesso absoluto. Devido ao sucesso a estilista criou uma nova coleção em seu ateliê em São Paulo e no mês de julho estará disponível aqui na Florida. Aqui está um pouco da conversa que tive com a Ana sobre sua carreira e sua nova coleção.

Como começou sua carreira de estilista?

A minha avó materna gostava de passar as tardes costurando e eu sempre ficava ao lado dela observado. Ela era uma mulher elegante, cheia de prendas, fazia bolos confeitados e muito preocupada com o bem estar da família. Isso tudo fez parte da minha formação, ainda criança. Nós assistíamos filmes antigos, como o “Gone with the Wind” e outros que tinham figurinos incríveis, então, nós fazíamos roupas semelhantes para as minhas bonecas e até para mim. Foi a minha avó materna a grande responsável pela minha paixão pela moda. Minha mãe é advogada, herdou o bom gosto da minha vó, e se veste muito bem. Eu fui criada nessa atmosfera de mulheres elegantes.

Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou antes de atingir sucesso?

Eu tenho um longo caminho pela frente, mas reconheço que tive algumas conquistas. Antes dos meus 24 anos, já tinha alguns trabalhos meus no exterior. Para chegar até aqui, fiz muitos sacrifícios: abri mão de investir no meu divertimento para investir no meu ateliê, tive que deixar de lado horas de lazer para me dedicar às minhas pesquisas e em muitos momentos achei que era melhor canalizar as minhas energias para o trabalho, para depois pensar em ter um relacionamento com alguém. Além disso tudo, tive o apoio moral de muitos que acreditam no meu trabalho. Não se constrói nada sozinha, foi a primeira lição que tive na minha vida adulta.

Como surgiu a ideia de expandir para os Estados Unidos?

A idéia de expandir para os EUA foi um acidente do bem. Eu tenho amigas brasileiras que moram nos EUA e são minhas clientes, mulheres bem sucedidas e que frequentam lugares interessantes. Muitas comentavam comigo que minhas peças chamavam a atenção pelo DNA tropicalista e cheio de frescor, e que suas amigas americanas queriam comprar, mas não tinham acesso. Em 2012, uma butique de Palm Beach encomendou uma coleção de colares feitos por mim, foi um sucesso de venda. A partir daí, conquistei uma clientela na região. Uma dessas minhas clientes é a empresária Stephanie Di Grassi que vive em Palm Beach, vinha ao Brasil e comprava as minhas peças, algumas amigas dela também queriam. Cheguei a conclusão que o melhor seria estabelecer pontos de venda, e a Stephanie por ter experiência em comércio de luxo nos EUA se tornou minha representante comercial lá.
Ana Di Romão

 

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Imagino que um dos grandes desafios de uma estilista seja estar sempre inovando e criando coleções novas a cada estacão do ano. Como você descreve o seu processo criativo?

Eu crio peças exclusivas em pequena quantidade, isso significa que frequentemente devo inovar. As minhas clientes querem novidades. De tal forma, que o processo criativo é intenso. A música se tornou o meu combustível. Eu estudo música desde pequena, coleciono discos e pesquiso muita música. O meu trabalho sempre é reflexo do que escuto, acontece uma simbiose entre minhas mãos e meus ouvidos, meu trabalho flui ao som da música. Muitos classificam meu trabalho como tropicalista, e realmente escuto muitos discos do período da Tropicália, obviamente isso reflete na estética do meu trabalho.

Quais são as coisas, pessoas e ou lugares que inspiram suas coleções?

No momento, estou apreciando os novos projetos musicais na esfera da MPB, e essa foi a minha fonte de inspiração da minha primeira coleção para Miami . O principal foi o projeto Bambas Dois, idealizado pelo produtor Eduardo BID, que promove um diálogo entre a cultura brasileira e a cultura jamaicana. Trata-se de um trabalho genial que confirma o espírito cosmopolita da música brasileira, bem como reforça a sua africanidade. Lembrando que a musicalidade dos dois países faz parte da diáspora africana. Alguns nomes novos na cena musical chamaram a  minha atenção como Karina Buhr, Lurdez da Luz, Curumim, Jair Naves e alguns outros. O trabalho desses artistas traduzem os anseios de uma juventude brasileira que nasceu no ápice da globalização e quer usar a arte para se comunicar. Tudo isso me inspirou muito. Diante de todas estas influências, comecei a imaginar uma mulher que se orgulhasse da sua raiz africana, forte, obstinada e vaidosa. Esta mulher é a moça brasileira, que por sua vez começou a assumir os seus cachos, a usar estampas de animal print e étnicas com muito estilo. Independente da classe social, sempre está arrumada, perfumada e cheia de vontade de vencer os obstáculos. Por isso a minha primeira coleção para Miami foi batizada de ” Moça brasileira”.

Muitos estilistas tem uma marca registrada. Seja ela um detalhe, tecido, estampa, cor… Qual a sua marca registrada?

A minha marca é a mstura de tecidos diferentes e padronagens diferentes na mesma roupa. Tenho trabalhos no qual trabalho com um único tecido, mas a minha paixão é a mistura. O Brasil é um país multicultural, pluriétnico… essa mistura de tecidos tem um pouco a ver com isso, a riqueza da mistura brasileira.

Qual o conselho que você daria para estilistas que estão começando?

Acreditar, acreditar e acreditar. Depois, trabalhar, trabalhar, trabalhar… Nunca esquecer de estudar!

Onde podemos encontrar as suas coleções aqui na Florida?

Em julho, lançaremos os pontos de venda na Flórida.

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Sobre o Autor

Brasileira com orgulho, amante da cidade de Miami. Venho compartilhar com vocês o que aprendi nos últimos 12 anos morando em Miami e convida-los a dividir as suas experiências em Miami aqui no DM.

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